Quase uma ficção

No ano de 1993, depois de dez anos, meu pai reapareceu em uma quinta. Quase três da tarde. Ele tinha sumido em uma terça de 1983 pela hora do almoço. Fingiu que não me reconhecia. Quem é você? Minha mãe, um pouco. Sua expressão não me é estranha? Minha irmã, com clareza. Minha mais querida…

Nem vem que não tem

  No ano de 1982   Vamos voltar à pilantragem!!!! Encaixo o soco. Empurro forte. Dou um braço e meio de distância do meu pai. Mostro os dentes, misto de sorriso com raiva. Jeito bom de se sofrer. Nem vem que não tem/ Nem vem de garfo/ Que hoje é dia de sopa. Ele vem…

Os Embalos de Sábado à Noite

  — Dança?!? — Nunca! — Música?!? — Nem pensar! — Teatro?!? — Está ficando besta? Ou é besta mesmo?!? — Box?!? — Só se for de banheiro, seu animal de rabo! Boxe e começa amanhã. Treinos e treinos com o primo do meu pai. Lutador velho que quase ganhou do cara que perdeu por…

Nocu

No ano de 1967, fiquei na espera do tapão. Claro que não seria um tabefe igual ao que levo com mais seis anos. Imaginei que seria uma bolacha de água e sal para uma menininha de três anos e pouco, a minha irmã bocuda. Mas o meu pai riu!   Gargalhou. Fez repetir para minha…

TAL PAI. TAL FILHA. (ou feliz dia dos pais)

  Podia ter perguntado se é corintiano. Ou se sabe sambar Mas não!! Fui para o interrogatório paternal. Rapagão alinhado na minha sala. Atento e ereto — Nome? Idade? Signo solar? Tem aí um atestado de bons antecedentes? Pausa dramática. “Com certeza a minha filha ensaiou muito o danado!!.Respondeu que se chama Cauã. Que tinha,…