SIMPLES HISTÓRIA

 Simples@

Acorda pensando nele.

O marido faz o café e a filha se troca sozinha.

Toma banho ruminando sobre si mesa. Escolhe cada peça torcendo para que ele seja atraído.

Faz um pedido para cada escovada.

 

Ela adora o jeito que ele a olha.

 

Beija a filha.

Despede-se do marido.

Sai sem tomar o café.

 

Atrasada, não dá desculpas. Prepara a sua mesa. Constata que ele já chegou.

Aprecia o jornal dobrado. Admira o paletó na cadeira. Sente o perfume.

 

Ele volta com chá de camomila e oferece uma agradável saudação.

Ela percebe que ele está bem mais bonito e lança o olhar mais quente.

 

A reunião sobre os novos procedimentos é aquecida ao lado dele. Os olhares ajudam a autenticação dos documentos. As explicações fazem-lhe aliviar o coração. As aberturas são certezas.

 

O almoço alimenta os sonhos.

No refeitório, ele lhe oferece café sem açúcar. Ela toca o ombro dele.

 

Sexta feira. Festa de aniversário do escrivão no bar da esquina.

Muitas bebidas e muitas insinuações silenciosas que gritam em seu corpo. De propósito bebe do copo dele. Dividem o mesmo lugar sorrindo. Repartem o guardanapo desejando. Joelhos se tocam por debaixo da mesa.

 

No fim, o aniversariante está muito bêbado.

— Vamos?

— Não — diz ela arrepiada — Ele a acompanha até o ponto de ônibus.

 

Ele não há encarou por dias.

Ele não falou com ela por semanas.

Ele, por muitos meses, somente conversou sobre o trabalho.

 

Uma terça, no final do expediente, ele toma um chá de maracujá.

— Vamos — diz ela eriçada.

 

Andam até um motel.

Ele concretiza o arrepio. Ela pega na unha o sonho.

Ele faz sem pedir. Ela clama.

Ele inventa palavras. Ela faz promessas.

Ele reza. Ela dorme.

Ele agradece. Ela é irradiada pelo olhar dele.

 

Não o encarou por dias.

Não falou com ele por semanas.

Somente conversava sobre trabalho com ele.

 

Uma quarta, final de expediente. Ele toma um chá de catuaba.

— Vamos?

— Não — diz ele.

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Um comentário sobre “SIMPLES HISTÓRIA

  1. Tal cotidiano da vida real, acontece tbm nas canções… amores mal resolvidos.
    “Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava
    a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha…” C. Buarque

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