TOMATE E TONHÃO

 Tonhão e Tomate

Antes da loja abrir e levar os chutes dos vigilantes de bom-dia

“Então aquece, enlouquece

E eu te digo meu amigo

Que qualquer supermercado

Vende sempre muito bem

Oh boy oh boy oh boy oh boy”

Rua pela manhã. Poucos transeuntes.

Tonhão, deitado ao lado de Tomate, aprecia o céu e acaricia um dos cachos do parceiro.

Cúmplice que está de costa, meio dormindo, inteiro sorrindo.

Eu tenho inveja

Das mocinhas da avenida

De ombros largos

E elegância nos quadris

Roupa lavada

Casa, luz e até comida

Tudo de graça

Oh! Que gente tão feliz”

Encacheamento que tem afeição, amizade, amor, tesão e admiração.

Deitados trovam.

“Pois o Trem da Alegria promete-mete-mete-mete,

garante”

Seguranças.

Vigias.

Não são os donos e  os chutes de lei. 

“Confesso

E confessar me alivia

Vê se também não me anistia

Me manda logo pra cadeia”

Recolhimento ligeiro das tralhas e riem por estarem juntos.

Modulam até uma padaria amiga. Como tantos. sonharam em serem as Frenéticas!

Eu sei que eu sou bonita e gostosa

 E sei que você me olha e me quer

 Eu sou uma fera de pele macia

Cuidado, garoto, eu sou perigosa

Tomate, com seu baixo tenor. Para a velhinha que e volta da feira.

Muito louco,

Muito louco, muito louco

Dentro de mim

Tonhão, ao fundo, compondo o cenário faz uma coreografia a moda dos Dzi Croquettes. Para os sonolentos que esperam o ônibus.

 

Padaria e Confeitaria

Depois de duas médias com pão sem manteiga implorados, ganham cigarros de algum inculto assustado.

“Você quer me consumir

Eu deixo

Você quer me mastigar

Eu gosto”

Para o moço que pede sempre um café com leite frio e pão de queijo quente.

“Se você quer me comer

Eu dou, eu dou, eu dou, eu dou

Um pedacinho pra você”

Dia vai.

Cigarros. Ruas. Canções. Sorrisos e não está sozinho.

“Eu dou, eu dou, eu dou, eu dou

Um pedacinho pra você

É que nessa encarnação eu nasci manga

Manga madura, lá no fundo do quintal

Sou manga pendurada nesse galho

Se você não me comer, eu apodreço e caio”

Dia vem.

Cigarros. Ruas. Canções. Sorrisos e não está sozinho.

“Eu já não agüento mais esperar

Revolucionar com você

Vou bombardear seu coração

Quero me explodir na sua mão.”

Na fila do refeitório, Tomate dá o tom e Tonhão rege o Black vocal.

Dez entre dez brasileiros preferem feijão

esse sabor bem Brasil

verdadeiro fator de união da família”

Comem gulosamente.

Apreciam com esganação.

Olham com voracidade.

Café e dois ou três incautos contribui para o crack.

Viram uma esquina.

Na praça, bate logo.

Você me trata como um ser qualquer

Ah! Não me quer bem

Não me tem amor

Não me faz carinho

Não me dá uma flor

Por isso eu sou vingativa, vingativa, vingativa

Por isso eu sou vingativa, tenho até asco de você

Dormem no terminal para ter forças à noite. Ali tem bastante gente. Não acordam mortos.

Porém são levantados à pontapés pelo zeloso vigia.

Segurança.

Não é o dono.

Tem pó de Exú

Que é pra acabar seu calundu

É de doer quando não tem o que comer

É de lenhar quando só tem amor pra dar

Duas ruas depois, encontram um camarada que deve para o Tomate.

Pede  só duas pedras em pagamento.

O camarada diz que não tem.

Tomate pede pelo menos uma.

O camarada dá uma facada da barriga do Tomate. Corre.

Tonhão só canta.

Primeiro fiz você ficar louco

Agora, vou lhe dar muita calma

Loucura, fui amor para o corpo

Agora, serei luz para a alma

O corpo gema o sol

Me deu pra mim lhe dar

Um diadema de ouro de Oxum

A alma clara mansa

A luz vem do luar

Na noite Odara sem medo algum

Tonhão, deitado ao lado de Tomate, contempla o céu  e acaricia um dos cachos do companheiro.

Cúmplice que de costa está meio morrendo e inteiro sorrindo.

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