Meus aniversários

Bolo55

Faz, hoje, sete anos que sinto profundas pinicadas sempre que uso uma cueca justa!

Não me dá sossego!!

Iniciou no meu aniversário de 48 anos. Um domingo: o meu dia de recuperação. Não tinha mais trinta e queria, como ainda quero, passar muito dos setenta.

Planejei comemorar sozinho.

Em casa, não andei com a barriga encolhida, usei o banheiro, não dei descarga e almocei de colher na sala relendo a minha coleção de “Homem-Aranha”.

Fim de tarde, no meio do futebol, tocou o interfone.

— Sou eu!

— Pode subir.

Todas sabiam que eu queria passar só!

Não fazer nada!

Não ver ninguém!

Mas uma delas se atreveu!

Ousou!

Não me obedeceu!

Kibom!!

Rápido, são somente dez andares, incendiei os meus pensamentos com a minha catuaba com açaí. Forrei a alma com o meu guaraná com nó de cachorro e enxaguei a boca com uma vodca e uma sopa Gingko Biloba com  Geleia Real salpicado com açúcar mascavo:

Deixei a porta aberta e deitei bem para lá de riste.

— Pode entrar!! — hoje pego por trás …

Aparece a Alice, a da segunda, que gosta somente de ladinho enquanto relembra o seu amor pelo ex-marido. Trazia um grande bolo de chocolate.

Sorri. Gosto de chocolate amargo.

Logo em seguida, veio a Bernadete, a da terça, uma virginiana que sempre quer estar certa e tem um corpão de violoncelo, com uma travessa de pudim de leite .

— Veja bem… — tive vontade de gargalhar.

Adentrando: Clarinda, a da quarta, ruivona que imita o Pica-pau e que muito me fez quebrar a cama, carregando um grande pirex de pavê de amendoim com leite condensado, meu preferido!

— Amores… senhoras… aconteceu uma… — juro que pensei em propor orgia erótico-degustativa. Fiquei a meio pau!

Em passos rápidos, invadiu a Dinorá, da quinta, que, nos momentos do nosso nirvana, soltava uma voz james-earl-jones. Ela apresentou uma imensa tigela de pastel de Belém.

— Não é isto que estão pensando… — tive muita vontade de chorar.

Irrompeu a Eunice, a da sexta, uma leonina que achava que o sol levantava por causa dela e tem os braços curtos, com pote de canjica com avelã e a Fausta, de sábado, que tinha o cheiro de lápis de cor e joanete tipo Monte Everest, com uma grande tortas de nozes.

— Aimeudeus!!! — arriei a bandeira.

*****

A minha caridosa síndica me encontrou, quatro dias depois, com o corpo cheio de formigas e boca infestada baratas. Estava em coma devido à hiperglicemia.

No hospital, virei motivo piada: graças ao meu membro abatido todo pirografado. Elas assinaram por extenso!!

 *****

Fiz 49 à base de muita fisioterapia, fitologia e psiquiatria seis vezes por semana.

Fiz 50 percebendo que continuava libidinoso, mas com intervalos maiores, e sentindo cócegas quando urinava: Ranhuras.

Fiz 51 nunca transando no primeiro encontro ou no segundo e nem no terceiro. Nunca transando.

Fiz 52 cometendo alguns poemas, alguns contos e me aventurando de novo no romance.

Fiz 53 praticando ginástica pela manhã, tomando meu remédio para pressão e com a meta: “Morrer com saúde!”.

Fiz 54 comendo carne somente em dias pares e nos impares jejuando. Quase nunca dormindo de conchinha.

Hoje faço 55 e …

(Desculpe… o interfone… Pode subir.)

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