36. O REBU

Sonja

Levei um ipon na Paulista com a Brigadeiro! Olhava com cobiça e sem pretensões uma bundinha empinada e o “mundo caiu”.

— O homem do conserto não vem?

Minha gravata, um enforcador e uma nife afinada na garganta. Só vi uns pernões de ferrugem!

 

— O homem do concerto não vêm? – gritava a ruivinha volumosa que tinha me rendido!

Pensava apenas se estava de cueca limpa! Azul? Vermelha?

 

— O homem do conserto não veem? — urrava a ruivinha me erguendo do chão. Pensei que minha filhinha que não responde meus torpedos, na dívida impagável com o meu primo e na pensão vencida para a minha terceira ex-mulher.

 

— O homem do concerto não vem? — rugia a ruivinha sacudindo o generoso decotão.

Pessoas olhando. Celulares gravando. Veio o camelô vender anel, cordão e perfume barato. Cadê um atirador de elite, meu deus!

 

— O homem do conserto não vêm? — zurrava a ruivinha e me chocalhando.

Tento pedir misericórdia. Rezar. Salvação, porém me deu vontade de cantar: O ruivinha assanhada!

 

— O homem do concerto não veem? — clamou a ruivinha para uma policial gordinha de voz grossa.

Um cheiro de pastel de queijo me deu fome medonha.

 

— O homem do conserto não vem? — reclamou a ruivinha depois que o terceiro repórter informou que estávamos ao vivo para todo interior.

— Não vem não! — disse eu sem querer.

— O homem do conserto não vêm?

— Não mesmo!

— Então tá — ela me largou e desceu a Brigadeiro cantando “Over the raimbow”. Ruivinha gostosa, meu deus!

 

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